Entre as passas de um cigarro

Saturday, June 25, 2005

NARCISO

Dentro de mim me quis eu ver. Tremia,
Dobrado em dois sobre o meu próprio poço...
Ah, que terrível face e que arcabouço
Este meu corpo lânguido escondia!

Ó boca tumular, cerrada e fria,
Cujo silêncio esfíngico bem ouço!
Ó lindos olhos sôfregos, de moço,
Numa fronte a suar melancolia!

Assim me desejei nestas imagens.
Meus poemas requintados e selvagens,
O meu Desejo os sulca de vermelho:

Que eu vivo à espera dessa noite estranha,
Noite de amor em que me goze e tenha,
...Lá no fundo do poço em que me espelho!

José Régio
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Narciso, Sixto Aguilera

1 Comments:

  • At 3:41 AM, Blogger Tiago Ferreira said…

    o amor também é vermos-nos no espelho de outro. mas é mais ainda quando nos sentimos espelho do outro em nós, e querermos sê-lo também.

     

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