Entre as passas de um cigarro

Thursday, May 04, 2006

Desígnios de Íris

Peguei no carro… Não era dia de trabalho, mas o telefonema de madrugada ditava que fosse.
Antes de pegar no carro mal me lembro do que fiz tal era o cansaço de muitas noites mal dormidas coladas ao ecrã à espera de alguma inspiração. Isto de escrever tem muito que se lhe diga…
Meia hora e lá estava eu em frente ao portão da escola.
Problema complicadíssimo… os professores do departamento de uma colega minha precisavam de apresentar actas e afins (que eu disso não percebo nada), e não havia nenhum que soubesse mexer no bicho de 7 cabeças.
Eu teria resolvido facilmente o problema colocando ali algum aluno a explicar ou então tratava de saber quem raio era o tal antipático professor de informática e arranjar ponta por onde lhe pegar.
Mas não, Íris, preferiu acordar-me de madrugada no meu dia de folga para eu ir ter com ela e resolver-lhes o problema.
Grande lata! Principalmente depois de estar sem dizer nada havia quase um ano!
Bem, mas como a minha consciência pesava um bocadinho lá me decidi a vir. É que eu a ultima vez que estivemos juntos praticamente disse ao marido que ela podia tudo menos ama-lo. Eu acho que cheguei a dizer mais ou menos assim sem as palavras todas…
Pensando melhor não foi isso que me ergueu da cama mas sim alguma réstia de ilusão… Mas não, esse era o pensamento a afastar a todo o custo.
Lá saí do carro reticente…
No intervalo entre o carro e a porta da escola estive quatro vezes para voltar para trás. Uma inquietação miudinha abanava-me a espinha. Pensar em olhar outra vez para aquela mulher que me fazia parar o cérebro não me parecia muito boa ideia. Principalmente a aquela hora da manhã e tendo eu de explicar informática a uma catrefada de professores… Bem, achava eu que não por mais que eu quisesse ter outra tipo de interpretação daquele telefonema a aquela hora da manhã era impossível… estava quase sem dúvidas que a informática era a única razão que Íris tinha para me contactar de novo.
Porque me levantei eu? – a interrogação não parava de me martelar na cabeça…

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